Teu lugar é no estômago

Teu lugar é no estômago, não no coração.
Te engoli em seco pela fome e, com desespero,
devorei cada palavra tua como a última garfada
de uma rara refeição.
 
Saboreei teu gosto com cuidado
e senti no corpo cada tempero usado
na tua fabricação.
 
Li tua receita de cabo a rabo,
que me aquecia em lume brando.
Decorei todos os ingredientes
e de cada um anotei cada porção.
 
Sorvi cada um dos teus poucos gestos,
fervidos na lentidão de um banho maria.
Deixei teu aroma penetrar nos meus poros,
invadir meu olfato e deixar o gosto na língua.
 
Mas você me deu indigestão.
 
Várias colheres de palavras não curam
esse embrulho no estômago, esse soco sem mão.
Vários beijos não remendam essa azia
insistente e ardida no estômago.
E no coração.
 
Carol Burgo
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