Se houvesse receitas..

Não me é fácil escrever sobre o amor. Se receitas houvesse…  Sobre o amor já ouvi dizer que deve ser livre, sem posse. Que deve ser genuíno, sem farsa. Que deve se construtivo, nunca destrutivo. Que deve ser amigo, sem inveja. Que deve ser paz e não guerra. Que deve ser constante, sem agenda. Que se baseia na entrega, sem medo. Que se pretende exclusivo, sem cópias. Que tem por principio a igualdade, sem desequilíbrio. Sim, já tudo isto ouvi. Já tudo isto sei! Mas o amor não é racional! Ou melhor, pode ser… Mas esse é um não amor!Desse eu já senti!

E quando o não amor se torna estupidamente tolerável? E quando o amor se transforma na insónia das noites e na dormência dos dias? Espera-se. Espera-se que passe. E os dias sucedem-se, com tanto de ressentimento quanto de silêncio. Até que um dia se deixa de esperar. E o outro não percebeu. E o outro não quis perceber. E é o fim. Mas ninguém disse que o fim era fácil. Para quem deixou de querer esperar. Para quem continuou à espera. E quanto tempo demora a ultrapassar? Demora muito. Não vale a pena abreviar. É preciso reaprender tudo. Reaprender a ser. Reaprender a adormecer. Reaprender a acordar. Há dias em que se quer dormir para que o tempo passe. Há dias em que se quer ficar acordado com medo dos maus sonhos. Há dias em que se tem medo de ficar sozinho. Há dias em que se pensa ser incapaz de voltar a acreditar. Há a carência. Há o desejo de dar (curiosamente mais do que de receber). E quando o passado se torna tão distante, como se fizesse parte de outra vida, deixámos de sobreviver. Porque recomeçámos a viver! Quantas vidas vivemos no tempo de vida? Quantas pessoas fomos sendo? Quantas pessoas seremos? Porque em último percebo que é o amor que nos modifica. Só disso nos damos conta quando termina. Só disso dá conta, quem não abrevia.

No amor há ciúme, há insegurança, há farsa, há expectativas, há dias, há medos, há sofrimento… Sim, há tudo isto! Então porque se procura? Sim, já sei. O amor não se procura. O amor encontra-se! Mas porque se quer encontrar? A resposta é simples. Porque (talvez por ingenuidade) acreditamos ser possível que o amor a alguém nos dê mais do que nos tira. Sejamos ingênuos, então!

Paula Pousinha

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2 thoughts on “Se houvesse receitas..

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