Colorindo o calendário

Todos os dias de sábado deveriam iniciar com o sol mansinho visitando nossa janela. O descortinar ajudado pela brisa, a preguiça indo embora devagar. O acordar aos sábados deveria conter aroma de baunilha, cheiro de bolo quentinho, de flor recém nascida.

Fica decretado que está terminantemente proibido acordar aos sábados com o despertar histérico do relógio ou da música ruim do vizinho. Deixemos as obrigações e chatices para as segundas-feira tediosas. O frenesi para as sextas. A preguiça para os domingos.

 Sábado é pra ser gasto, usado e abusado naturalmente. Com música e livro bom. Consigo ou com companhia. Deve ser colorido, esperado, bonito. Deve refletir arco-íris e plantar ideias novas na mente e nos corações.

 Sábado nublado não deveria existir. O céu carregado pode ficar para as terças? Sábado tem de ser alegre.Ser rua cheia de bicicletas, sorvete lambuzando o rosto, pôr do sol visto de cima de uma pedra alta. Ser fotografia, algodão-doce, pipoca na praça e bolinhas de sabão.

Também por isso, deveria ser proibido chover aos sábados. Exceto para que as crianças brincassem  nas poças d’água, para os banhos de chuva enfeitados de sorrisos e braços abertos ou para beijos de cinema que ignoram o cenário.

Sábado com frio somente seria permitido para abraços demorados e aconchego. Para vinho tinto, chocolate quente e edredom sem solidão.

Tudo bem. Não vamos ignorar que os problemas não dão intervalo, que as injustiças não respeitam o calendário, que os contratempos não dão aviso prévio. Mas vamos torcer para que dias cinzas aconteçam de segunda à quinta, pode ser? E todos os pormenores, pesos e pressões. Aos sábados, não.

Todos os sábados deveriam começar com um sorriso ingênuo. Desses com o poder bonito de inspirar as horas, romper com a tristeza e fazer – sem brecha pra inconveniência dos percalços – um final de semana, no mínimo, feliz. Com direito à fim de tarde com gosto de alecrim, prosa de amigo e paparicos de avó.

Sábados com música e poesia pra prender a vida num cenário bonito sem abobar nossa capacidade de enxergar dias feios e poder transformá-los. Sem nos tirar a vontade de realizar e brigar pelos nossos sonhos.

Um dia. Um só dia ao menos pra abstrair da rotina que nos ronda, blindar nossa força e calibrar nossa coragem de ser feliz em todos os outros. Comecemos por hoje?

Yohana Sanfer

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