Carta do Lobo de Olhos Amarelos

Amada Ale,

Estou ouvindo suas 29 músicas prediletas. Você me gravou uma fita cassete para repartir a adolescência.

Rebobino seu passado com a caneta bic e encontro alguém que cuidou da solidão como eu.

Uma solidão de espiar com os ouvidos.Sabe, Ale, não olhava nos olhos de ninguém quando jovem.

As pessoas pensavam que era covardia não olhar nos olhos. Não entendem de nada.

Covardia é não ouvir quando se é chamado. E você me chama, sua voz me pede.

Escuto, escuto, escuto o que vem nascendo entre nós. Ouvir e admitir que se ouviu é a verdadeira coragem.

Agrada-me permanecer à toa em sua companhia no domingo.

Já entendi como você funciona. Sua paixão tem método.

Não fala comigo por um tempo, me larga por um tempo, vê televisão, gira pelo computador, conversa online com amigos.

Bem que poderia reclamar que me esqueceu e criticar seu alheamento. Mas continuo quietinho ali.

Você logo virá.

Passa horas distraída para se surpreender de repente com o próprio amor.

Faz por querer. Finge que eu não existo para me duplicar de beijos, para me dobrar de estreias.

Lembra da paixão que tem por mim subitamente, agradece que estou perto e me abraça com as pernas por toda a noite.

E me abraça com a força das pernas nos braços todo o dia.

Beijo do teu
Lobo de Olhos Amarelos

Fabrício Carpinejar
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