Gosto novo

Dá pra descobrir arte sem ser triste.
Tem beleza a beleza por si só.
É só se aceitar.
 
Deixar o sal de Nando Reis, vir doce para os novos lábios.
E sem se preocupar com o All Star azul, se apaixonar pelo que se tem.
 
Falei outra vez que a vida é isso mesmo, vai da gente, sonhar ou atuar. Minha tática era mesmo ficar estática, mas quando entendi que tava protagonizando as melhores doçuras, e tudo sem ensaio, eu achei até bom o meu caminho.
 
É que ele só é, quando eu trilho.
É só andando que o vento bate e eu consigo sentir o cheiro que exala, a língua fica seca e eu provo o gosto que tem.
 
E nessa minha nova estrada, muitas plantinhas nasceram, sementes que eu até tinha esquecido enterradas, frutificaram.
 
No meio do caminho eu peguei uma puta chuva e subiu aquele cheiro de terra molhada, bom que só.
 
Depois o sol saiu, me morenou e eu gostei também do verão que tava fazendo.
Parecia o meu primeiro verão, com cheiro de protetor e topless inocente de criança.
 
Gostei da nova vizinhança que ouvia sertanejo, todo, todo dia.
Gostei do novo trabalho que me pirou com aquele alfabeto aeronáutico.
Gostei das novas amizades, e por gostar, tudo e todos me gostavam também.
E acho que de repente é isso que manda, transpirar positividade. Ela bate lá e volta pra cá.
 
Muita indo, mesma intensidade e sentido contrário, muita voltando.
Gostei, por fim, de ter que voltar. Demorou, mas eu entendi que era uma segunda chance, de fazer tudo diferente. Não necessariamente melhor, mas, de outro jeito.
 
É como liberar um ufa! ao ver que as coisas não estão mais como você as deixou.
Tem quem veja no voltar, um retrocesso, mas eu escolhi não olhar por essas lentes.
 
Tô montando um castelinho torto, humilde, pedrinha por pedrinha, mas que me cabe dentro.
Vez ou outra alguém derruba metade do meu trabalho suado e assim me arranca duas ou três lágrimas, mas o número de gente que coloca a mão na massa comigo, tem aumentado um tanto.
 
Agora a casa tem meu tamanho, meu jeito, a cor da parede que eu mesma pintei e eu coloco nela, quem eu quero e fica quem quer. É tudo meu. O caminho, a casa, a vida, os pincéis.
 
Parece meio autoajuda, mas é não.
É só pra mostrar o quanto a gente é bobo, às vezes, por ficar em stand by.
 
Kamila Valente
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