Descompasso invisível

O motivo dos silêncios não é preto nem branco. Talvez cinza. E o gosto do desgosto é amargo. Escorregadio que só, tão distante. De uma boniteza assim, escandalosa; de uma doçura assim, infantil. Porque não invade de abraços? Pode ser tanta coisa, pode fazer bem. Tenta? Às vezes um duo é deleite, my dear. Não minto nem falo a verdade. Só sinto. Não sei o que, não sei onde, alguma coisa. Perto do coração. Descompasso invisível, desassossego selvagem. Faz uma falta súbita, dá uma ânsia seca. Te desembrulho em pensamento como um presente. Não sei o que há nessa caixa: vai que é supresa dourada, repleta de luz e calor. Quem sabe? Quebra esse silêncio como uma porta estourada. Vem ser meu cúmplice, dilatar minhas pupilas, acabar com a minha paz. Abro a porta devagarinho e te deixo entrar. Quer?

Paula Pfeifer

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