Domingo

– Pois é, perdeu o encanto.
– Mulher cisma que tem que ter encanto. Homem diz “não me encarno mais”, se for mais velho diz “não dá mais”.
– Se tiver quinze anos diz “não róóóla mais”. No fim é tudo a mesma coisa.
– Você precisa se animar. O dia está sorrindo pra você! Me odeia por ter dito isso?
– Não chego a odiar, mas meu subconsciente mandou você se ferrar automaticamente.
– Eu também odeio frases de auto ajuda. Que se dane, né?
– Melhor frase de auto ajuda é: essa é por minha conta, beba!
– Sim.
– Queria que um japonês batesse na minha porta agora com um prato de sushi na mão. Deixasse o prato ali e fosse embora, sem cobrar e sem dizer nada.
– Queria que uma manicure batesse a minha porta, fizesse a minha unha sem dizer nada também. Sem me cobrar e sem marcar hora.
– Estamos com preguiça, nível avançado.
– Sim.
– Queria ir a uma festa com muito barulho e quase ninguém conhecido.
– Sei. Uma festa que ninguém fosse perguntar o que tem feito ou questionar coisas sobre seu ex namoro, né?
– Sim.
– Sei como é. Vontade de fazer charme e dizer só o que tenho de legal. E todo mundo acreditando.
– Exatamente.
– Ninguém pra te julgar.
– Ahãm. Vontade de mentir o que faço, no que trabalho. Ser outra pessoa só por um dia.
– Quando quero fazer charme, minto também. Não é bem mentir, só dou uma florida na história. Quando não quero conversa, digo que vendo Avon.
– Eu gosto de você como você é.
– Um chato?
– Não. Você é interessante. Seu celular é velho e você não tem um iPhone. Sinto preguiça de moços com iPhone.
– Háá, tive que comprar um novo. Bem moderno. Com Whatsapp e tudo. Estou cada dia pior.
– Não acredito. Você era minha esperança nos homens. Saber que ao menos um não era conectado, surtado, me fazia feliz.
– Acabei com sua fé. Perdão.
– Acabou. Agora sou pior por saber que seu celular é moderno.
– Você vai ficar pior e tudo por culpa minha.
– Sim, você é culpado por tudo. Você matou Odete.
– Não lembro, mas acho que matei sem querer. Fui eu sim. Já se sentiu assim?
– Já sim. Você precisa se apaixonar.
– Preciso sim.
– Mas dá uma preguiça conhecer gente nova, né?
– Muita. Explicar sua vida inteira pra uma pessoa que não sabe nada de você. Até ela entender. Aquela cara de boba, doçura e meiguice de início de namoro. Concorda com tudo, apoia tudo, sorri pra tudo. Haja paciência.
– Verdade, caímos no ridículo. Inícios são constrangedores.

Vanessa Pinho

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