Aço

Paixão de supetão, sabe? Não sei se todas são. Não sei falar das que não foram ou são minhas. Essa, de início roubou o fôlego, entorpeceu, arrepiou; assustou e quase afastou, mas não. Encanta tanto, que o susto é quase nada perto da atratividade.

Muda tudo, pensa? Uma paixão súbita, intensa, recheada e sensitiva.

Um sonho, com realização simultânea, penetrando a vida de alguém que, até ali, tinha sonhado só o inatingível, o intangível dependente quase adicto à transcendência da imaginação e do fingimento. De repente vem chegando este vento desconstruindo, limpando, reparando, reestruturando pedaço a pedaço aquela vida, aquele rosto, aquele pensamento, aquilo tudo que era eu.

Era o clímax da história mais imprevista e desejada, era um dos clímax.

Nunca antes havia sentido que fora vista de fora pra dentro, não sabia olhar nos olhos, só desejava ver, só desejava todos os sentidos, que, a partir dali, faziam-se todos muito mais projeção e sensação do que apenas desejo e imaginação.

Não que seja palpável também, mas sentido e apreciado em um plano mais próximo e mais provido de calor do que só aquele que se sonha de longe.

Agora, ali, era como se sonhasse de perto, ou porque o sonho tinha vindo ao chão, ou porque as consequências daquela paixão me deixassem tão leve que eu subisse às nuvens onde moram estes sonhos que antes apenas podia alcançar em pensamento.

Não sabia como era ser tão inteiramente sincera. Era necessário que fosse representação, não era? Confundia-se. Queria ser toda aquela nova, aquela inteira, aquela sincera e projetada nas mais “amanipuladas” (não manipuladas) expressões de sentimentos e momentos. Forte, totalmente forte, por não esconder nenhuma fragilidade.

Hoje, paixão madura, ainda causa as mesmas sensações, ainda é sempre nova, ainda assusta, mas, acima de qualquer coisa, ainda encanta tanto. Hoje não rouba tanto as palavras, dá novas, faz brotar histórias, memórias.

Aço, palhaço
te faço como posso,
como sou
Me faz toda amor
toda leve
me confundo contigo,
é quando sinto que vivo.
 
Marianna Ambrósio
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