Ontem, hoje e amanhã.

Sempre acreditei que o bom mesmo de uma relação fosse a conquista. Aquela luta pra conseguir conquistar o outro. Até aí tudo bem, sem problemas. Mas li uma reportagem falando que o amor bonzinho é o melhor. Explico: aquele que não precisa de formas mirabolantes, porque simplesmente acontece. E desde então não consigo tirar isso da cabeça.

Toda novela/filme que se preze tem que ser em volta de um drama. Tem que haver uma série de altos e baixos até que se possa, enfim, viver o feliz pra sempre. Me pergunto até que ponto isso influencia na vida das pessoas. Porque sim, ninguém quer viver no mais ou menos. Todo mundo quer ser legal demais, bonito demais, tudo demais…

Aí eu volto ao assunto: o amor que simplesmente acontece não é aquele visto como mais ou menos? Porque se não houve uma conquista, não houve planos, surpresas, não seria ele “morno”? Não.

Conversando com meus avós (todos eles na faixa de 90 anos), perguntei o que tinha de diferente nos amores “de hoje” para os amores “de ontem”, e por que era tão difícil amar ultimamente. Acredite se quiser, mas eles nem precisaram de tempo pra responder. A simplicidade, respoderam.

Os amores de ontem aconteciam por conta de muita conversa e muito tempo. Amava-se pela companhia, pelo cheiro, pelos interesses que viravam planos e depois de algum tempo realizações. Amava-se pela proteção. Amava-se pelo peito ou pelo colo que consolava depois de um dia de trabalho. Amava-se pelo simples fato de as coisas mais importantes serem simples.

Os amores de hoje requerem muita força de vontade e uma boa dose de criatividade. Não basta ser romantico, tem que ter constantes provas de amor. Não basta dar flores, tem que ser as mais bonitas e em maiores quantidade. Não basta te fazer feliz, tem que te fazer bambear as pernas, disparar teu coração. Não há nada simples nisso.

Aos poucos deixamos de apreciar coisas simples para querer um amor avassalador. Minha impressão é que as vezes estamos tão agitados e alienados que deixamos de viver boas histórias por termos expectativas altas demais.

Será que os amores de amanhã serão conseguidos apenas com um oi? Medo de que esse dia chegue. Há tempos se perdeu o significado de amar.

Talvez um dia a gente aprenda que a simplicidade é a chave do sucesso. Quem disse que o amor fácil não é também o mais apropriado?

Laira Custódio

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One thought on “Ontem, hoje e amanhã.

  1. Laira…
    Linda fala de nossos avós, não é?
    Esquecemos o amor…partimos para a idealização…que pena…
    Um grande terapeuta de casais diz que “amar é aceitar o outro como legítimo outro…”.
    Simples? Não! Extremamente complicado…e talvez por isto que complicamos tanto…porque amamos o ideal e não o real…
    Ótima construção a sua!!!
    Bjos

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