Apenas um conto

Para ler ouvindo:

“Trago boa novas, senhor!”, de alguma forma a frase não tinha soado tão bem quanto ele esperava. Mal tinha ouvido a seqüencia da frase. Deu um sorriso meio sem jeito. Agradeceu, levantou e saiu do café. Era o lugar que freqüentava todos os dias. Gostava de ir lá. Foi caminhando, sendo o seu norte o local de trabalho. Lá, não havia nada de novo. As mesmas pessoas, os mesmos cumprimentos, tudo igual. Não havia reparado antes como aquilo era irritantemente cômodo. Entrou na sala, um monte de papeis lhe esperavam. As mesmas assinaturas, as mesmas reuniões, as mesmas pessoas. Em que momento havia se tornado assim? Seria, talvez, hoje? Não. O fato é que sempre fora deste modo, mas ele nunca havia percebido. Não era culpa dele, só estava tendo um mal dia. E justamente hoje tudo parecia estar mais forte do que nunca. As pessoas sorriam com aquele sorriso nada sincero, mas queriam ser, de alguma forma, simpáticas. Elas não tinham motivo pra sorrir, e por que mesmo assim sorriam? Era esquisito. Ele não agüentou, saiu e foi embora. Entrou no café, pela segunda vez no dia. Pediu uma média com leite, como de costume. Sentou na mesa de sempre. Viu as mesmas pessoas. E aquela cena lhe trouxe um enjôo como nunca sentido antes. Não era culpa dele, só estava tendo um mal dia.

Laira Custódio

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