Vana Medeiros

Mulher cafajeste

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Nada melhor como a independência feminina, não é mesmo? Algumas de nossas mães ainda estranham o comportamento de hoje, mas é fato que as mulheres não esperaram que um milagre resolvesse seus problemas, e foram até lá brigar por eles. Hoje temos o direito a tratar do nosso corpo como quisermos. Claro que sempre vai ter alguém olhando torto, e o machismo é muito mais infiltrado na sociedade do que alguns falsos otimistas gostariam de pensar, mas demos nossos passos em direção à igualdade.

Entre estes passos pode não estar ainda o direito de escolher como vai ser nosso parto, ou se ao menos queremos ou não esse filho gerado, mas uma coisa é certa – ninguém mais tem o direito, em sociedades ocidentais como a brasileira, a recriminar uma mulher pelo que ela decide fazer com a sua vida sexual. Em lugares aparentemente distantes, mulheres ainda são apedrejadas por terem mais de um parceiro ao longo da vida, o que faz parecer com que os avanços aqui sejam gigantescos. Temos o direito a sair por aí e encantar quem bem entendermos, do mesmo jeito que os homens fizeram ao longo dos séculos, sem deixar que ninguém metesse o bedelho.

Direitos iguais é um bom lema, mas às vezes ele pode ser distorcido. A linha é fina e tênue entre ter o direito de fazer o que quiser com o seu corpo, e fazê-lo dele ferramenta para usar e abusar quem aparece pelo caminho. Do mesmo jeito que a liberdade sexual foi um grande objetivo atingido, ele produziu ainda um tipo de mulher bastante peculiar, a cafajeste. A que abusa da liberdade que tem para arrasar quem passasse pelo caminho. Esqueceram que liberdade sexual não é canalhice.

A generalização de que todo homem não presta produziu as mulheres que não prestam. Elas acham que não tem nada demais usar as mesmas armas contra eles que sempre as fizeram de vítimas. Mas não entenderam o aspecto mais básico da situação toda: isso não é uma guerra. Uma coisa é sair por aí se envolvendo com quem bem entender. Outra é deixar subentendido que a relação é exclusiva só para poder aproveitar um pouco mais aquele cara gostoso da academia, em vez de ser clara com ele e dizer que ele não é, de longe, o único.

Outro dia estava lendo o depoimento de uma garota que, meses antes, reclamava de como os homens conseguem ser tão superficiais e fúteis. Ela estava literalmente descrevendo em centímetros os membros de dois caras que estava saindo, e dissertando sobre qual iria satisfazê-la mais, para poder escolher caso um deles descobrisse que não era único. Sério mesmo, garotas? Chegamos a isso?

Quer ser fútil e cafajeste? Por favor, sinta-se à vontade. Assim como tem muita gente mentirosa, sem caráter, recalcada, mal educada, grossa, e babaca atrapalhando esse mundo, e não há muito o que a gente possa fazer para mudar. Mas assuma-se como tal. Não é porque você foi maltratada por caras imbecis antes que tem o direito de fazer o mesmo com outros que não têm nada a ver com a história. E, por favor, tente não espalhar estereótipos por aí. Nada mais frustrante do que ouvir o velho “nenhum homem presta” de uma mulher que também não se preocupou em valer muita coisa.

Vana Medeiros